PANDEMIA E PÓS – PANDEMIA: DESAFIOS A
EDUCAÇÃO
A pandemia provocada pelo novo coronavirus – Covid-19 – que
assola o mundo e impõe o isolamento social generalizado, fechando as pessoas em
suas casas, está mantendo metade dos estudantes de todo o mundo longe das salas
de aulas, em ambos hemisférios do globo terrestre.
A
pandemia da Covid-19 vem trazendo imensos desafios para todos os setores, no
Brasil e no mundo. Na tentativa de reduzir a ampla disseminação do novo
Coronavírus, medidas de distanciamento social têm sido adotadas pelos países, e
ainda não se sabe exatamente quando deixarão de ser necessárias.
Na
Educação, tais medidas significam, em linha geral, o fechamento de escolas
públicas e particulares, com interrupção de aulas presenciais.
Nesse
quesito, o Brasil tem seguido a tendência mundial. Em todo o território
nacional, redes públicas e privadas interromperam o funcionamento das escolas.
Por ora, as
redes federais, estaduais, municipais e privada têm avançado nesse sentido, e o
caminho tem sido viabilizado, principalmente, por meio da disponibilização de
plataformas online, aulas ao vivo em redes sociais e envio de materiais
digitais aos alunos, como mostra recente levantamento realizado.
Diante
desse contexto, o presente esforço busca recorrer aos dados e evidências
existentes para iluminar os desafios e limitações do ensino remoto e, também,
as estratégias que são mais adequadas ao se optar por lançar mão dessa
alternativa.
Frente ao
atual momento, soluções de ensino remoto podem contribuir e devem ser
implementadas. Mas, considerando seu efeito limitado, é preciso cuidadosa normatização
e, desde já, atenção ao planejamento de volta às aulas.
Estratégias
de ensino a distância deverão cumprir papel importante para a redução dos
efeitos negativos do distanciamento temporário, mas as evidências indicam que
lacunas de diversas naturezas serão criadas. Com isso, normatizações sobre sua
equivalência para fins de cumprimento do ano letivo precisam ser objeto de
atenção e, desde já, precisamos começar a planejar um conjunto robusto de ações
para o retorno às aulas.
Uma
estratégia consistente para o ensino remoto é aquela que busca mitigar as
condições heterogêneas de acesso e os diferentes efeitos de soluções a
distância em função do desempenho prévio dos estudantes.
Para
enfrentar o risco da ampliação de desigualdades, ao lançar mão de estratégias
de ensino a distância, é preciso entender que a disposição de recursos
tecnológicos é heterogênea entre os alunos e que aqueles que já têm desempenho
acadêmico melhor tendem a se beneficiar mais das soluções tecnológicas.
O ensino
remoto não deve se resumir a plataformas de aulas online, apenas com vídeos,
apresentações e materiais de leitura. É possível (e fundamental!) diversificar
as experiências de aprendizagem, que podem, inclusive, apoiar na criação de uma
rotina positiva que oferece a crianças e jovens alguma estabilidade frente ao
cenário de muitas mudanças. Envolvimento das famílias também é chave, já que
poderão ser importantes aliados agora e no pós-crise.
Dessa
forma, é preciso ter expectativas realistas quanto às diversas soluções
existentes, sabendo que elas são importantes alternativas no atual momento, mas
não suprirão todas as necessidades esperadas e previstas nos currículos.
Em suma,
um alerta importante no que tange à priorização dos esforços por nossa parte
nas próximas semanas e meses: por mais que a adoção do ensino remoto possa
contribuir para reduzir o impacto do fechamento de escolas na formação dos
alunos, é fundamental que as escolas e redes de ensino não demorem a planejar
estratégias eficazes para lidar com a volta às aulas.
Em outras
palavras, uma resposta em escala e à altura dos desafios que surgirão só poderá
ser dada com um robusto conjunto de ações pós-período de fechamento das
escolas. Conforme experiências de outrora vivenciadas por outros paises, precisaremos de novas estratégias para contemplar
novas e excepcionais demandas, como o acolhimento emocional dos alunos e
profissionais da Educação, a comunicação reforçada com suas famílias e
sociedade e um acompanhamento mais próximo dos estudantes com maior propensão
ao abandono ou evasão, avaliações diagnósticas acompanhadas de amplos programas
de recuperação escolar e ações de formação e apoio aos professores em múltiplas
dimensões.
Considerando
as disparidades no acesso à internet e aos equipamentos tecnológicos e as
diferenças já existentes nos níveis de aprendizado dos alunos, nossas
estratégias devem lançar mão de ações que intencionalmente busquem reduzir, ao
máximo, o risco de ampliação das desigualdades educacionais. Os alunos de nível
socioeconômico mais baixo, que já deveriam receber maior foco da política
educacional em situações normais, devem ganhar atenção ainda mais especial
neste momento de crise.
Portanto,
ainda que as atividades escolares estejam sendo transpostas para dentro dos
domicílios, os professores seguem sendo essenciais para o processo de
ensino-aprendizagem. No caso do uso de tecnologias educacionais, por exemplo,
as evidências são claras em apontar que os docentes possuem papel fundamental
para que essas soluções tenham resultado positivo no desempenho acadêmico dos
estudantes e diante de um cenário com características inéditas, os professores
seguem sendo o ativo mais importante para enfrentarmos os desafios educacionais
que se apresentam agora e que, muito provavelmente, só aumentarão no futuro
breve – pós pandemia...
Srasmsc
MAIO 2020




